«Disclosure Day», de Spielberg: elogios da crítica, reservas e um fracasso de bilheteira
O filme de Spielberg sobre a divulgação de ficheiros sobre UAPs foi geralmente elogiado pela crítica, mas arrecadou menos de 116 milhões de dólares nos Estados Unidos e chegou ao streaming.

Numa sala de cinema norte-americana, quem se sentou para ver «Disclosure Day» acompanhou o percurso de uma heroína interpretada por Emily Blunt em confronto com funcionários do governo. Foram poucos os que o fizeram. A coluna da Washington Examiner intitulada «Why do we care so little about possible alien life?» descreve a mais recente grande aventura de Steven Spielberg como um filme que «veio e se foi» no início do verão, com um resultado comercial abaixo dos 116 milhões de dólares nos Estados Unidos; apesar de geralmente elogiado pela crítica, o filme «flopou», e o mesmo texto nota que poucos se importaram.
A premissa, porém, não é nova no cinema do realizador. Segundo a mesma coluna, o filme antecipa, tal como «Close Encounters of the Third Kind» (1977), o dia em que os encobrimentos e as conspirações em torno da alegada vida extraterrestre teriam terminado — o dia em que o mundo possuiria finalmente prova indiscutível de que os seres humanos não são a única forma de vida inteligente. O artigo da UFO Chronicles sublinha que a história é ficcional, mas que assenta em anos de esforço real de quem contesta esse encobrimento, e que as expectativas em torno de uma obra mediática marcante eram altas.
A receção crítica foi, no essencial, favorável. O artigo da UFO Chronicles regista que os críticos descreveram o filme como um blockbuster capaz de conjugar profundidade emocional e temática sem sacrificar o entretenimento, e que vários destacaram a interpretação de Emily Blunt e a confiança subjacente na bondade humana como os seus pontos mais fortes; no plano artesanal, escreve o mesmo texto, o elogio é merecido. O seu título, ainda assim, é «Great Cinema, Convenient Omissions», o que aponta reservas quanto a «omissões convenientes» que o excerto disponível não desenvolve. A recensão da Washington Examiner insere o filme numa narrativa de declínio do cineasta, para quem «Jaws» (1975) e «Raiders of the Lost Ark» (1981) ficaram para trás e «Empire of the Sun» (1987) é a obra-prima; nessa leitura, «The Post» (2017) é um exemplo fraco de apoio à imprensa tradicional e «Ready Player One» (2018) uma concessão às forças mais perniciosas do cinema moderno. O excerto dessa recensão não contém, contudo, o veredicto do crítico sobre «Disclosure Day».
O desencontro entre expectativa e resposta do público é o fio da coluna da Washington Examiner, que pergunta no título porque nos importamos tão pouco com a possibilidade de vida alienígena. O filme está agora disponível para streaming na Amazon Prime e noutras plataformas.
Fica a imagem de uma heroína a enfrentar funcionários do governo perante plateias pouco preenchidas — e a pergunta, formulada no título da coluna, sobre a razão pela qual a possibilidade de vida alienígena desperta tão pouco interesse.