Pentágono divulga 71 novos dossiês sobre OVNIs sob pressão por dados classificados
Departamento de Defesa dos EUA publica novos documentos sobre fenómenos aéreos não identificados, enquanto a AARO indica que mais de 96% dos avistamentos têm explicação terrestre.

A Defesa americana publicou 71 novos dossiês sobre Fenómenos Aéreos Não Identificados, segundo o Il Fatto Quotidiano. Entre os documentos surgem os detalhes de um programa secreto de 10 milhões de dólares e o relatório médico de três engenheiros que adoeceram após um evento aeroespacial anómalo; um deles desenvolveu sinais de transformações malignas "como se fosse estado exposto a radiações", escreve o mesmo jornal. Os dados da AARO citados na publicação confirmam, ainda assim, que mais de 96% dos avistamentos têm uma explicação terrestre.
Em paralelo, o astrofísico Avi Loeb pressiona o governo dos Estados Unidos para obter acesso a informações classificadas sobre OVNIs e a eventuais evidências de tecnologia não humana, de acordo com o site Politico. Numa reunião realizada no fim de agosto na sede do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional, na Virgínia, Loeb procurou acelerar o acesso a dados que, segundo ele, podem estar na posse das agências de inteligência e das Forças Armadas. Loeb foi escolhido durante o governo de Donald Trump para liderar o novo Conselho Científico sobre OVNIs, criado sob a estrutura do ODNI, com a missão de aplicar métodos científicos aos registos governamentais de fenómenos aéreos não identificados.
A estas diligências somam-se alegações não confirmadas. O ex-especialista de inteligência da Força Aérea dos Estados Unidos Dylan Borland afirmou, numa participação no podcast "Hang Out with Sean Hannity", com a presença do investigador de OVNIs Ben Hansen, que o governo americano possui objetos de origem não humana recuperados. Questionado diretamente por Hannity sobre se o governo detém naves recuperadas, Borland respondeu de forma afirmativa e voltou a dizê-lo quando pressionado sobre a certeza da afirmação.
Noutra frente, o Liberation Times escreve que a Casa Branca deixou sem resposta as alegações sobre abates de OVNIs. Grande parte das imagens divulgadas no âmbito do PURSUE permanece demasiado ambígua para responder às questões que levanta, e a divulgação de filmagens potencialmente esclarecedoras foi dificultada. Dois vídeos alegadamente mostrando um OVNI triangular de 100 pés sobre uma base militar do Colorado estariam na posse do Air Force Office of Special Investigations; fontes indicaram ao New York Post os números de processo IRR1669S015524 e IRR1669S005024. O Pentágono afirma não conseguir localizar as filmagens, e o vice-secretário de imprensa Joel Valdez escreveu sobre o assunto na rede X.
O volume de documentação resulta em larga medida de pedidos de acesso à informação. A Marinha dos Estados Unidos divulgou mais de 1 300 páginas de e-mails e documentos relacionados com o ex-diretor adjunto de Inteligência Naval Scott W. Bray, obtidos pelo The Black Vault através de um pedido feito em 24 de maio de 2022 com termos como "Fenómenos Aéreos Não Identificados" e "UAP"; mais de quatro anos depois, a Marinha respondeu em 23 de setembro. Documentos desclassificados obtidos por John Greenewald, do The Black Vault, revelaram igualmente encontros entre o Departamento de Defesa e a Força Aérea Uruguaia, no quadro de uma agenda de cooperação bilateral impulsionada pela AARO centrada no estudo de fenómenos anómalos não identificados. O estado do dossiê permanece marcado por divulgações parciais: os registos conhecidos apontam sobretudo para explicações terrestres, enquanto as alegações sobre recuperação de material não humano e sobre abates continuam sem confirmação oficial.